sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Operação Verão reforça resgates aquáticos com uso de aeronaves no litoral baiano

 


Um helicóptero do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMBA) sobrevoou a orla de Salvador durante uma simulação de resgate a vítima de afogamento, realizada na praia do Corsário, em Salvador, nesta quinta-feira (8).

A ação integra a Operação Verão 2025/2026 e demonstrou como o emprego de aeronaves, aliado ao apoio de drones e de equipes em solo, contribui para a redução do tempo de resposta em situações de risco no litoral.

Segundo o capitão Maurício Vieira, do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, o uso desse tipo de recurso amplia a eficiência dos salvamentos aquáticos.

“Trata-se de uma aeronave versátil, com grande potencial para reduzir o tempo de resposta. No caso de um salvamento aquático, realizamos o sobrevoo e, ao localizar a vítima, ela pode ser retirada imediatamente do meio líquido”, explicou. Ele acrescentou que as ações são realizadas de forma integrada com as equipes que atuam em terra ou em embarcações.

Para ampliar a capacidade de atendimento durante a Operação Verão, o Corpo de Bombeiros recebeu reforço de equipamentos, incluindo 30 barcos, 37 reboques, 37 motores de popa, 303 roupas de salvamento e 2 mil conjuntos impermeáveis.

No âmbito do Grupamento Aéreo, 22 bombeiros atuam diretamente em ações de resgate, com apoio de helicóptero e monitoramento por drones, utilizados para percorrer extensões da faixa litorânea e identificar ocorrências no mar ou em áreas de difícil acesso.

A professora de geografia Ivanete Peixoto, de 62 anos, acompanhava a simulação na praia com o marido e o neto e destacou a sensação de segurança. “A primeira sensação é de proteção. Trouxemos meu neto de cinco anos e pude mostrar a ele a rapidez com que o resgate foi realizado. Isso transmite confiança para quem frequenta a praia”, afirmou.

O aposentado Juvenal, que já atuou como salva-vidas, ressaltou a importância da conscientização. “É preciso cautela, principalmente em praias com mar aberto. Muitas pessoas sabem nadar, mas não conseguem retornar por causa das correntes de retorno, que são uma das principais causas de afogamento”, alertou.

Nesta edição da Operação Verão, o Governo do Estado destinou R$ 9,2 milhões para as ações de segurança e reforçou o efetivo com mais de 11 mil profissionais, sendo 9,5 mil policiais militares, 1.095 bombeiros, 338 policiais civis e equipes do Departamento de Polícia Técnica (DPT).

Os profissionais atuam em regime de serviço extraordinário até abril, com cobertura em 111 municípios, incluindo Salvador, Porto Seguro, Ilhéus, Feira de Santana, Camaçari, Lauro de Freitas, Vitória da Conquista, Juazeiro, Itabuna, Valença, Vera Cruz e Morro de São Paulo.


”Bandido bom é bandido preso e entregue à Justiça”, afirma Jerônimo Rodrigues, em entrevista à Veja

 


O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), defendeu uma política de segurança pública baseada em método, inteligência e responsabilidade, em entrevista às Páginas Amarelas da revista Veja, publicada nesta sexta-feira. Para ele, o combate ao crime organizado não deve ser tratado como disputa ideológica, mas como uma política de Estado.

Jerônimo afirmou que a esquerda precisa enfrentar o tema sem preconceitos e rejeitou o rótulo de leniência. “Bandido bom é bandido preso e entregue à Justiça”, disse, ao sustentar que a atuação policial deve ser firme, mas dentro da lei, com respeito aos direitos humanos e ao devido processo legal.

O governador reconheceu os altos índices de violência no estado e assumiu a responsabilidade pelo enfrentamento do problema. Segundo ele, a resposta passa por investimentos em inteligência policial, formação continuada, controle externo e uso de tecnologias como câmeras corporais e sistemas de monitoramento.

Na entrevista, Jerônimo também defendeu que o Estado esteja preparado para enfrentar facções armadas. “O crime organizado tem armamentos potentes. O Estado também precisa ter para enfrentá-lo”, afirmou, ressaltando que o uso da força deve ser técnico, planejado e supervisionado.

Além da repressão qualificada, o governador destacou ações preventivas, como a ampliação de escolas em tempo integral, serviços de saúde e políticas sociais em áreas mais vulneráveis, integrando segurança pública e desenvolvimento social.

Jerônimo ainda cobrou maior cooperação federativa e criticou a redução de investimentos federais em segurança durante o governo de Jair Bolsonaro, que, segundo ele, fragilizou o combate ao crime organizado nos estados.

No campo político, o petista minimizou pesquisas desfavoráveis e lembrou que levantamentos erraram em eleições anteriores na Bahia. A entrevista projeta a imagem de um gestor que busca conciliar pragmatismo, princípios e a defesa de uma polícia forte, aliada a um Estado presente e à justiça social.